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maio 22, 2012

O ilustrador das palavras

Se você é Curitibano, provavelmente conhece as obras do nosso mais famoso escritor ainda vivo e em plena produção. Mesmo que você não seja dos mais assíduos leitores, Dalton Trevisan cai no vestibular, é tema de literatura no ensino médio e um dos mais geniais contistas com competência incrível para dar vida aos dramas cotidianos da capital Paranaense.

Se você não é Curitibano deve conhecer a obra do autor que, aos 86 anos, criou uma história incrível na literatura e com a revista Joaquim. Ilustrações e palavras, artes que Dalton Trevisan dissemina com perfeição.

As vésperas de eu aniversário o Curitiboca acabou de vencer o Prêmio Camões, o maior da língua portuguesa. Provavelmente ele, que não é muito de aparecer, não irá até Lisboa para receber o prêmio. Mas sério, alguém esperava mesmo ver o vampiro de Curitiba pelas ruas?

maio 22, 2012

Projeto de Música: Madeleine Peyroux

Brasil, esse é meu mais novo projeto de música com a minha irmã Caro Pisco na bateria e percussão!

maio 2, 2012

Leitura da Semana (6): Escritos de Artistas 60/70

Fiquei um tempo sumida, eu sei. Um monte de coisas acontecem ao mesmo tempo em minha vida e todas são extremamente urgentes e importantes, então me ausentei da internet por uns dias.

Em primeiro lugar, continuo na minha saga por um emprego, o que exige uma dose de pesquisa, entrevistas e intensa exposição de meus pontos fracos e fortes para pessoas que nem conheço. Concomitantemente tem o concurso para socióloga que prestarei no domingo. Continuo a trabalhar na churrascaria para organizar escritório, cuidar do caixa, dos pedidos, atender os clientes na porta e garantir que a reforma da nossa nova casa não atrase ou gere débitos desnecessários.

No meio dessa correria tem me sobrado pouco tempo para ler. É triste, mas só agora que me organizei nessa bagunça que posso lhes apresentar a minha mais nova leitura da semana. Eis a bola da vez:

Tenho algumas observações para fazer sobre este livro. Eu já li Escritos de Artistas: Anos 60/70 na ocasião em que adquiri essa maravilha em uma livraria Curitiba, na época eu estava no meu primeiro ano das faculdades de jornalismo e ciências sociais. O livro apresenta artistas que relatam suas formas de criação, a origem da arte dentro de cada um, suas preferêcias e desgostos quando se trata da estética da arte. Tratam da definição, intenção ou direção da arte, a relação da arte com a política, de sua exibição e mais.

São mais de 50 textos entre cartas, ensaios, entrevistas e manifestos de gente como Ad Reinhardt, Richard Serra, Joseph Beuys, John Cage, Lygia Clark, Hélio Oiticica, Grupo Rex, Artur Barrio, Anna Bella Geiger, etc.  Na primeira vez em que os li, não sabia ao certo sobre diversos conceitos que envolvem a estética, os dilemas de reprodução e os milhares de aspectos que o tema engloba.  Agora, depois de ter lido as obras de Walter Benjamin sobre a aura e a reprodutibilidade técnica, Burke e a origem da nossa idéia de belo e alguma coisa de Hegel, Kant e Aristóteles posso sentir que a leitura será, além de encantadora, muito mais proveitosa.

abril 24, 2012

Jogar a toalha?

Então acabou 2011 e eu adentrei em 2012 com duas faculdades nas costas, experiência de morar sozinha e responsabilidade de me bancar, organizar-me para fazer um mestrado e trabalhar…. só há um porém: não arranjo emprego!

Enquanto estava na faculdade, todo mundo queria me contratar -em Curitiba, em Marília e até em São Paulo - mas foi só vestir a beca e aquele chapéu que beira o ridículo que ninguém me oferece uma oportunidade. Minto. Não posso ser injusta a ponto de ignorar a única pessoa que me contrataria até então, em um stúdio de fotografia com um salário de 750 reais por mês. Sério, eu agradeço mas setecentos e cinquenta é uma puta sacanagem.

O mercado de trabalho não está preparado para receber tanta gente formada todos os anos. Parece absurdo… e é! Acontece que já ouvi em entrevista que sou “muito qualificada para o cargo”… alô, eu quero um emprego e não me importo de começar do zero.

Assim que saí do colégio fui aprovada no vestibular do antigo CEFET, hoje UTFPR, no curso de comunicação empresarial. Durante o primeiro ano de curso tivemos várias palestras e minicursos sobre empreendedorismo. Na faculdade de jornalismo, tive uma disciplina com esse nome. Mas fala-se muito no espírito empreendedor e pouco sobre como ser um empreendedor efetivamente. A universidade brasileira cria empregados que o mercado não está pronto para contratar… é triste.

Há 4 meses desempregada, eu me viro pois minha família possui duas churrascarias e alguém precisa fazer a parte administrativa por aqui. ADMINISTRATIVA, isso mesmo que você ouviu e sei que deve estar pensando: “mas essa guria não é jornalista e socióloga?” SIM, mas pelo menos eu tenho uma alternativa, e quem não tem pais proprietários faz o que? Aceita aquele salário de 750 reais… é mais triste ainda.

Mas só por ter uma outra opção, que provavelmente me pagará muito mais do que qualquer empresa que contrate um jornalista, deveria eu jogar a toalha e assumir logo as churrascarias? Não meus amigos. Meu trabalho aqui é das 9h as 17h e no outro turno estou em período de planejamento e desenvolvimento de meu próprio empreendimento, a minha revista. A demora por sua conclusão deve-se ao fato de que eu prestarei um concurso público que oferece uma, UMA, vaga para sociólogo. Pois é.

Se que não é grande coisa, mas esse potencial de criação e coragem de assumir alguns riscos, dar a cara a tapa eu aprendi com meu avô e meus pais, não na universidade.

abril 18, 2012

Diálogo na mesa da família

Mãe – Pai, sabia que a Andréia diz que cu não tem acento?

Vô – Bem capaz.

Titi – Claro que tem, só se caiu… Sempre teve.

Eu – Olha, nunca soube. Não tenho culpa se o cu de vocês é acentuado.

Vô – AAAAAAAAAAAAAAAHAHAHAHAHAHAHAHA

abril 18, 2012

CENSEntido

Sempre ouvimos dizer que os menores de idade são encaminhados para centros de socioeducação (CENSE) quando cometem infrações não é?! Muitas vezes pensamos ou ouvimos outros comentarem que não adianta nada enviar estas pessoas para os centros, que nada se resolve. Pois bem, o que eu e você sabemos sobre estes centros? Melhor, o que sabemos sobre estes adolescentes?

Hoje saíram reportagens sobre o tema a partir de pesquisa realizada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em que  foi apresentado o perfil dos adolescentes internados com base em uma pesquisa realizada com 1898 deles. De acordo com a matéria, a média de idade dos infratores é 16,7 anos.

75% usavam drogas antes de entrar nas casas de recuperação e 75% usam drogas dentro dos centros.

48% cometeram as primeiras infrações entre os 15 e 17 anos e 9% entre os 7 e 11 anos. 43% são reincidentes e 73% já receberam suas sentenças pela justiça.

Entre os crimes,26% estão lá por tráfico de drogas, 36% por roubo e 13% por homicídios.

Quais as medidas que os centros tomam para tentar recuperar socialmente estes indivíduos? Depende, as unidades adotam estratégias diferenciadas, mas 72% dos adolescentes têm aulas diariamente nos centros. Entretanto a pesquisa “Panorama nacional: a execução das medidas socioeducativas”, desenvolvida pelo programa Justiça ao Jovem, verificou que no Brasil 80% dos estabelecimentos que atendem adolescentes em conflito com a lei não têm programas de acompanhamento aos egressos, embora isso seja determinado pelo ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).

As diferenças regionais são notórias: no Centro-Oeste, 96% das unidades são desprovidas desse atendimento e, no Sul, que apresenta o melhor índice entre as regiões, 52% dos estabelecimentos não acompanham os egressos.

Se o panorama continuar com esta configuração, os centros me parecem cada vez mais CENSEntido, tal como ocorre com as cadeias superpopuladas do nosso Brasil.

abril 17, 2012

Adeus Velho

Semana passada a antropologia perdeu um dos mais interessantes autores da área quando se trata da questão urbana. Gilberto Velho tinha 66 anos, nasceu e morreu no Rio de Janeiro. Atuou nas áreas de Antropologia Urbana, Antropologia das Sociedades Complexas e Teoria Antropológica.

Dele eu li ”Projeto e Metamorfose: antropologia das sociedades complexas” (sensacional)“Subjetividade e Sociedade: uma experiência de geração” e ”Individualismo e Cultura: notas para uma antropologia da sociedade contemporânea”. Uma leitura fundamental para repensarmos a elite e a classe média, as drogas e o Brasil.

Uma grande perda para os cientistas sociais.

abril 17, 2012

Pânico no poder público

Saiu na Gazeta do Povo uma notícia sobre a votação que acontece hoje na Câmara dos Vereadores de Curitiba sobre a proibição de eventos de grande porte sem um responsável. A emenda deve complementar o projeto de lei que determina a obrigatoriedade de ambulâncias em eventos com mais de mil pessoas e foi proposta pelo vereador Juliano Borghetti (PP).

Ora, a obrigatoriedade de ambulâncias é, evidentemente, uma medida no mínimo razoável. Afinal, a concentração de seres humanos sempre pode originar confusões, pessoas passam mal e etc. Falta a conscientização de que as ambulâncias não bastam. Grandes eventos exigem estrutura, basta lembrarmos do caos total que foi o show para a paz, realizado em 2003 no Jockey Club; naquela ocasião três adolescentes morreram pisoteados. Eu estava presente e me lembro muito bem do excesso de pessoas e da falta de organização. As ambulâncias estavam lá.

O fato é que a emenda a ser votada hoje tem origem no Réveillon Fora de Época (eu participei do evento e você pode ler minhas impressões aqui), em março na praça da Espanha, que foi organizado por meio de redes sociais e ninguém sabia apontar ao certo os seus organizadores. Pelo menos 20 mil pessoas participaram do evento e a prefeitura se obrigou a fornecer o mínimo de estrutura com banheiros químicos, ambulâncias e policiamento.

A preocupação urgente do poder público é com novas iniciativas do mesmo gênero. Para dia 26 de maio está marcado o Carnaval Fora de Época, na mesma praça, organizado em redes sociais e sem organizadores assumidos. Pelo menos duas mil pessoas já confirmaram a participação e os governantes estão em pânico. Entretanto, a proibição de eventos sem organizadores acontecerá de que forma? Como o poder público pretende evitar os eventos criados e fortalecidos pela internet? Proibir o acesso à praça da Espanha está fora de cogitação.

Pois é, ou a prefeitura se organiza para atender a demanda por apropriação do espaço público ou chora. A pressão por medidas de segurança e higiene serão inevitáveis, como já aconteceu no evento realizado em março. A população encurralou o estado, força ele a garantir serviços que já são assegurados por leis. A praça é pública e será, novamente, ocupada.

Sabe quando você compra alguma coisa na internet ou quer reclamar de um serviço e não tem ninguém para te atender? Você não sabe a quem recorrer? O poder público, em Curitiba, começa a sentir na pele tudo aquilo que você já enfrenta há anos. Não há ninguém para ser responsabilizado, não há pra quem reclamar. Bem feito!

abril 14, 2012

Peyroux

Eu adoro Madeleine Peyroux, então segue:

abril 14, 2012

Só pra constar

- Se tirar o vocal de Anthony Kiedis de “Even you Brutus?”, essa se torna uma bela música.

 

-  Cada um tem o Hermeto Pascoal que merece… Esse Terje Isungset toca instrumentos de gelo. Pois é!

 

- Estou levemente viciada nessa música:

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