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Pela democratização dos roubos

março 21, 2012

Mesmo sem toda a audiência ou o jornalismo investigativo forte que tinha antes, o Fantástico ainda vai ao ar aos domingos a noite e, de vez em quando, apresenta reportagens sérias que viram pauta para o resto da semana. Desta vez foi a denuncia de irregularidades na saúde que virou assunto nacional.

Não é pra menos! A revolta com a festa das prestadoras de serviços e hospitais com dinheiro público pode não solucionar as acusações de propina, mas mantém acesa uma luz no fim do túnel, uma esperança de que algum dia nosso país poderá se ver livre destes desvios inconcebíveis.

A revista televisionada da Rede Globo apresentou reportagem em que fornecedores dos hospitais negociavam valores ilícitos com um repórter que se passava por diretor de compras do hospital pediátrico da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Pobres crianças, pobres brasileiros que dependem do SUS! As empresas Rufolo Empresa de Serviços Técnicos e Construção, Locanty Comércio e Serviços, Bella Vista Refeições Industriais e Toase Service receberam quase R$80 milhões da União só em 2011.

Imediatamente o caso abriu precedente para duas posições que foram amplamente abraçadas pela mídia. A primeira delas, CLARO, é o uso desta verdadeira palhaça como trampolim político. Aqui em Curitiba, a Gazeta do Povo publicou uma reportagem que demonstra o interesse do líder tucano no senado, senador Alvaro Dias (PSDB-PR) em criar uma CPI para investigar as irregularidades. Até aí tudo bem, afinal qualquer brasileiro é a favor da investigação desta situação. Mas afirmar que o “líder do governo, Eduardo Braga (PMDB-AM), foi ao gabinete de Alvaro Dias na tentativa de convencê-lo a desistir da criação da CPI” é um pouco perigoso não? Quem presenciou esta visita?

Outra posição que eu gostaria de questionar é a do nosso querido ministro da Educação, Aloizio Mercadante, que se pronunciou sobre o fato de a reportagem revelar que a prática não é isolada e exige “novas práticas de política pública”. Segundo o site g1, também do grupo globo, o ministro teria afirmado que a denúncia aponta a necessidade de criação de “uma empresa do governo para centralizar as licitações”.

Caro Mercadante, se é pra sermos roubados, que várias pessoas enriqueçam! Esta “empresa” é uma forma de centralizar os roubos, não as licitações. Não se esqueça que nosso país ainda goza da tão batida e exaltada democracia.

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