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Tudo e nada. Profundamente descentralizada.

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Ao norte

Três dias em Santo Antônio da Platina, no norte do Paraná. Aquelas experiências em que os desconhecidos te acolhem com tamanha hospitalidade que você se sente em casa – tão comum em todo o Brasil, embora Curitiba tenha fama oposta.

Eis alguns retratos do que vivenciei lá. Optei por não tratar nenhuma foto, pois acabei de comprar essa câmera e estou em processo de entendê-la. Tampouco sou fotógrafa profissional, apenas apreciadora da arte e em busca de desenvolver meus olhares.

Nos quase 400 km que separam aquele interior da capital, um pedágio atrás do outro. Foram R$ 6,70, R$ 9,70, R$ 8,10 e mais um ou dois que não me lembro. Boa parte do trajeto com a segurança da pista dupla, mas vários trechos sinuosos em pista simples e sem acostamento. Muitos caminhões.

A revolta com os investimentos em estradas, ao invés de trilhos, é latente.

Imensas safras de milho, soja e – claro – cana, carregamentos de eucaliptos e pinos. TODOS transportados naquela estrada..

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Santo Antônio da Platina tem cerca de 50 mil habitantes. Não tirei fotos de lá pois conheci apenas o centro – passamos na farmácia – e não posso deixar de apontar a similaridade com Garça, no interior de São Paulo. Nosso destino era um sítio, a quase 17km da área urbana. Chegamos quando o relógio apontava oito da noite. Bom papo regado a cerveja, um sanduíche e cama. O dia seguinte começou as 6 horas da manhã, era dia de levar nossos gaviões para um reconhecimento do campo de voo.

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Poucos passos foram necessários até que encontrássemos o gado.

Baixíssimos os níveis de domesticação, elevados os de curiosidade. Os animais, contados a cabeças, nos perseguiam e encaravam. Corriam hora na direção contrária a nossos corpos e hora ao encontro dos mesmos.  Defendiam seu território, não seu orgulho. Exigiam atenção total.

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Em diferentes pontos da fazenda, conhecemos cerca de onze espécies de abelhas.

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Dez eram inofensivas, mas as africanas, que ferroavam sobre o macacão e injetavam o veneno em nossos corpos assustavam. Como soldados, defendem o raio de 50 metros de sua rainha e podem matar. Além de protegidos por roupas especiais, carregávamos uma arma, um fumegador. Com o cheiro de fumaça, as abelhas  entendem que há um incêndio na floresta e correm para a colmeia para se alimentar de mel e partir em busca de novo abrigo. Cheias de mel, não têm a flexibilidade necessária para dobrar o corpo e, consequentemente, a ferroada é dificultada. Não evitada.

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Gosto da natureza, acho que as árvores são ignorantes em beleza e tamanho, que as cores da mata fazem qualquer paleta de cores passar vergonha.

Registros de meu encantamento por árvores, cores e texturas:

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Esta, aberta por um raio.

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Aos poucos aprendo mais sobre as aves,. Eterna curiosa.

Na estrada avistei gaviões carijó e carrapateiro, falcão de coleira (falco femoralis), carcarás, diversos psitacídeos e bandos de pássaros que desconheço. Na área industrial, também avistamos pombos.

Lá no alto, anu-branco:

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Lá longe, pica-pau:

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No retorno, boas notícias, bons planos, boas conversas. Reflexos da sábia decisão de sair da pressão.
Agora é voltar ao trabalho, à recolta.

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Elucidação

Se você acessou este blog recentemente, por obra do acaso enquanto viajava na internet, possivelmente interpretou que ele está abandonado desde março de 2013. A sinceridade me obriga a te informar que ele definhava muito antes disso;  o que me levou a pensar em criar outra página, com fiz duas ou três vezes nos anos que se passaram, mas logo desisti. Esse é endereçado “andreiapisco” e desconheço pretexto que bata o da identidade. Mas qual? Eu também não sei, entretanto a única nomenclatura que me representa na totalidade é essa: Andréia Pisco.

Meio confuso isso de não ser capaz de definir a própria identidade. Acredito que todos devemos trabalhar as representações que vemos em nós mesmos. Procuro conhecer a origem das minhas ações, racionalizá-las. Procuro aceitar os fatos, entendê-los, desconstruí-los. O registro é uma saída. Por isso, muitas coisas escritas neste blog já deixaram de me representar. Algumas geram desconforto, outras orgulho. O mínimo que posso fazer é manter a franqueza aos meus pensamentos, pelo menos no momento em que os expresso. Afinal, o que justifica a motivação para a produção de um texto, uma nota, uma música, uma foto? Isso tem que ficar bem claro. Assim, quando eu voltar a acessar estes registros encontrarei elementos mais ricos para entender de onde saiu tudo aquilo e qual a origem social e/ou individual daquelas idéias.

O que preciso que você saiba:

– O ano começou há 22 dias e 11 horas. Nós costumamos dividir nossa vida em anos, por isso sempre há aquele clima de que a próxima etapa trará prosperidade em várias esferas. Eu não penso diferente. Nietzsche me ensinou a ser otimista. Sim, sempre achei Nietzsche fantástico e não vou abrir mão dele só por virou “modinha” entre os pseudointelectuais. (Prefiro pseudointelectuais ao termo “bicho grilo”, que representa, na minha opinião outra coisa. Adotei pseudointelectuais neste momento, mas acredito que ainda não se trata do conceito que busco para representar um grupo bem específico. Só que isso é conversa para outro dia.).

Como eu vejo o conclave

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Toda essa história que envolve o Papa é o golpe do século. Faça breve análise acerca da publicidade que a Igreja ganhou desde o dia em que Bento 16 anunciou que renunciaria e tire suas conclusões. A minha: níveis absurdos de exposição na mídia. Isso sem falar do impacto econômico resultante da migração de fiéis, jornalistas, curiosos e tal rumo ao Vaticano.

Sobre a renúncia, rastros de ideologia (a favor da ciência, não da Igreja) me forçam a acreditar que o Papa refletiu, racionalizou com todo o seu conhecimento e reconheceu que não possui o carisma, liderança política para Max Weber, necessário para um chefe de Estado.

Em relação ao dossiê, a explicação mais plausível indica que aos 45″ do segundo tempo a Igreja controlou a crise interna e conseguiu mantê-la longe dos veículos de comunicação.

Sobre o novo Papa, provavelmente será brasileiro por vários motivos. Não podemos esquecer que o Brasil é o país com maior número de católicos e altos índices de evasão rumo à Igrejas Evangélicas. Além disso nosso candidato é jovem e moderado, e não consigo imaginar um povo, com exceção dos argentinos, que não simpatize com os – sempre alegres – brasileiros.

Com todo esse sucesso, crises controladas, escândalos abafados e revoluções anunciadas aos ventos, aposto que a fumaça sairá verde. Eles têm mais é que comemorar.

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Tão popular, o zip virou verbo. Por ser um blog, a expressão “zipar” não deve chocar.

O tempo parecia quase naturalmente zipado nos longos anos em que trabalhou, estudou, fez duas faculdades e aprendeu francês.
Antes de sair da universidade já sonhava com uma preocupação diária que envolvesse cultura, arte e narrativas. A sociologia somada ao jornalismo e a seu perfil deram corpo ao objetivo que mais parecia uma ilusão.
Em um novo universo de trabalho, sentia-se tal qual um peixe cru.  A agonia dos seis meses de desemprego, seis meses não zipados, foi desestabilizada por uma proposta indecente. O desespero é deprimente, sempre foi, mas ele passa.

Agora, pesos equilibrados,  o frenesi já é passado. Só restou uma medida a se tomar.

Vamos ter que negociar.

Meu discurso de jornalismo

Um dia desses, acho que sexta-feira, na volta para casa comecei a pensar em meu discurso de formatura. Me formei em Sociologia e Jornalismo, na ciência da comunicação social tive a alegria de ser escolhida para o discurso da formatura. Ainda bem que tive a decência de salvá-lo em um e-mail.

Sim, ele é tão divertido quanto eu me lembrava. Palavras que me orgulho de ter pronunciado.Indico para os jornalistas. Ignorem as piadas internas que fazem parte do meu universo e se concentrem na mensagem.

Boa noite a todos//

Em primeiro lugar eu quero agradecer aos meus amigos por terem me escolhido para dizer estas palavras hoje. Não tenho a voz de veludo do Norton ou do Jeferson, mas espero suprir suas expectativas.

Minha família é dona de churrascaria em Curitiba e quando entra um cliente ou amigo do meu vô eu escuto ele falar: “Nêne, tu tá vendo essa minha neta aqui? Ela é jornalista! Tu já pensou?”. Há tanto orgulho em suas palavras que elas saem doces e encorpadas, quase sem esforço. Este orgulho que eu vejo esta noite também nos olhos de nossos avós, pais, tios, irmãos e amigos, espero ver em cada piá e guria com quem convivi nos últimos quatro anos.

Nós não apenas escolhemos como também fomos escolhidos por essa profissão e hoje temos que nos orgulhar e justificar tudo o que aprendemos, discutimos e o que ainda não sabemos sobre ela.

Logo no início da faculdade o nosso diploma foi caçado e caiu. A partir daquele momento deixou de ser obrigatória a conclusão de um curso universitário para exercer nossa profissão. Em decorrência disso, muitos dos nossos abandonaram o jornalismo.

Perdemos colegas durante a faculdade. Uns desistiram porque descobriram que não haviam escolhido a profissão certa – o que é aceitável, afinal aos 17 anos é uma decisão difícil a se tomar – e outros logo após a queda do diploma. Saíram as meninas que tiravam fotos no banheiro, Thamires, Camila, Laiane, , o Diego, o Rodrigo, aquele piá que levantava as meias e o Wellington, que insistiu ou desistiu? Ninguém sabe ao certo pois ele sempre ressurgia pelos corredores de forma inesperada.

Ao final do primeiro ano, a sala, que antes tinha 22 ou 25, não sei ao certo pois tenho rasas memórias daqueles meses, estava com 15 alunos ou menos. Depois disso o desenho da turma ficou mais claro. Na metade do curso nossa turma ficou completa com a chegada do Anízio, um frei franciscano que achava que eu era do capeta pela quantidade de tatuagens e palavrões, mas que se transformou em um grande amigo e sempre provou ter coração de ouro e uma cabeça extremamente aberta para o mundo. E também com a chegada do Gabrielzinho, o filho da Taís que impediu que ela colasse grau conosco hoje, mas que trouxe imensas alegrias e despertou nessa guria uma mulher que será grande jornalista um dia.

Os anos de faculdade não foram fáceis e, apesar de pequena, nossa turma não deixou de questionar, discutir e procurar ampliar as experiências durante a universidade. A verdade é que todo mundo entrou em crise. O curso, a instituição, os professores e nós, os alunos. O que foi positivo nisso foi o amplo espaço de debate e aqui quero ressaltar aquela que considero ser das mais louváveis características da nossa turma, uma das que me faz ter mais orgulho desses amigos que vejo aqui, o senso de democracia.

Qualquer coisa que nós quiséssemos reivindicar junto à universidade ou a algum professor era discutida em longos e calorosos debates regados à revolta, salgados do Marajá e cerveja na Kzona. Para toda e qualquer decisão nossa turma armava uma votação. É meus amigos, essa é uma das maiores vantagens em sermos apenas 12.

Nossa turma não foi das mais festeiras. Também, organizar um churrasco com 12 pessoas, sendo que a metade mora em cidades da região, não é tarefa fácil. Além disso, todos sempre trabalharam com exceção do Thiago, que ficava no posto do pai em troca de uma mesada gorda, do Norton que ficava no MSN do DAEM e do Luan, que fez bem, afinal foi afortunado pela sorte. Mesmo assim, sempre rolava uma cerveja depois da aula, um esquenta na chácara do Paracelso que durava até o sol raiar e umas baladas entre os mais animados.

Queridos amigos, tenho hoje que lhes dizer que este diploma que não tem validade legal valoriza vocês enquanto profissionais, mas certamente não é isso que os torna jornalistas.

Desde o primeiro ano de faculdade tivemos vários exemplos da diversidade que nossa profissão exige e exalta em nossa turma. Do mais sério e rabugento até aquele que nada leva a sério. Do mais teórico e intelectual que quer mudar o mundo aos outros, esportivos, de sessão de fofoca, de televisão, rádio, impresso e internet. Temos aqui enciclopédias ambulantes com memórias que fazem inveja à elefantes como o Waldemar, nosso futuro advogado; temos um exemplar de profissional que faz várias perguntas circulares com a Cíntia; temos o Paracelso que sabe tudo de futebol das séries A, B, C, D, E, F e da várzea; temos o Thiago dos Anjos que é tão silencioso que pode investigar qualquer coisa; e, entre outros, aquele estrelinha que só faz reclamar, não é Norton?

Sem a universidade não teríamos discutido as crises teóricas ou a questão da imparcialidade com o Prof. Roberto Reis e o Luan não teria a chance de perguntar diariamente o significado de paradigma. Para mim especialmente, o prof. Reis foi um divisor de águas no que diz respeito as discussões sobre as teorias da comunicação. Foi com ele que conheci o Habermas e comecei a repensar todas as potencialidades dentro da nossa profissão.

Sem a faculdade não teríamos aprendido os exercícios vocais “grrrrrrr”, a dar nós nas gravatas e os “or”e “ur” proibidos na TV com o Prof. Fernando Garcia que, além de tudo, nos deu uma ampla noção do mercado de trabalho, incentivou e indicou alunos e colegas para jornais, Tvs e rádios. Sem ele também não saberíamos nada sobre a compra brasileira de caças e a crise de transferência de tecnologia junto aos franceses e norte-americanos. Além disso, foi esse o Professor que mais incentivou a prática dentro da universidade, o que justifica sua escolha como nosso paraninfo. Também foi ele que nos deu oportunidade de aprender televisão e assistir à incrível chamada do Jeferson para o Double Two. Ah, Prof, eu concordo com o senhor, a Dani tem que cortar o cabelo.

Não teríamos oportunidades tão intensas de treinar e discutir jornalismo literário e gêneros jornalísticos sem a Prof. Maria Teresa. Foi com ela também que tivemos a oportunidade de fazer um jornal impresso diário com direito de aprender a diagramar, pesquisar, entrevistar, apurar, escrever, fotografar e publicar. Não teríamos também oportunidade de ver o Paracelso dentro de um terno.

Na universidade aprendemos sobre documentários com a Prof. Inês, história da comunicação com a Prof. Ciça e jornalismo científico com a Prof. Linda, coisas que dificilmente veríamos fora dali. Faltou prática e estrutura? Sim. Não vamos mentir, mas temos que olhar o que esses quatro anos nos trouxeram de bom e uma avaliação final me mostra muitos pontos positivos.//

Não teríamos chegado aqui sem as nossas famílias, portanto para elas temos que agradecer também. Mesmo à distância, como no meu caso ou no do Luan, é nas famílias que nos apoiamos e são com eles, nossos pais e irmãos, que compartilhamos cada avanço dentro do jornalismo. Então agradecemos a paciência de assistir jornal ao lado de uma pessoa que critica o texto, a roupa, os gestos e o enquadramento do repórter; agradecemos os ouvidos atentos que escutam as histórias sobre como foi fazer a primeira matéria policial, ganhar a primeira capa de jornal e perder os feriados. Sim, os feriados porque o mundo não para e alguém precisa trabalhar para que ao final do carnaval todos saibam do movimento das estradas, por exemplo. Agradecemos acima de tudo por acreditarem em nós e apoiarem a escolha de uma profissão tão pouco valorizada ao mesmo tempo em que é extremamente importante para a dinâmica do mundo moderno.

Queremos agradecer a Deus. O meu, o teu e o de todos aqui. Cada um tem uma crença diferente, mas todos reconhecem que sem Ele nada é possível e a conclusão desta etapa em nossas vidas não é diferente.

Agradecemos aos nossos amigos, tão companheiros e importantes durante todos esses anos. Nesta sala sempre optamos por compartilhar o conhecimento sem olhar para quem era passada a cola ou explicada a matéria antes da prova.

Ciente de que nesta vida nós também perdemos pessoas importantes, dedico esta conquista aos que se foram. Durante a faculdade perdi a minha vó e um grande amigo da família. Sei que o mesmo pode ter acontecido com muitos de vocês. Então acho importante lembrá-los.

Antes de terminar quero pedir aos meus colegas que não se esqueçam de todas as críticas e discussões em sala de aula. Que nós possamos exercer um jornalismo digno de nos orgulhar, consciente da importância e da centralidade que nossa profissão tem sem nos contentar com um jornalismo medíocre que não passa de fofoca de bairro.

Não nos esqueçamos que o jornalista não é aquele que noticia apenas, é quem dissemina a informação na sociedade e o conhecimento é o que muda a vida das pessoas. Podemos não nos dar conta, mas simplesmente por informar a população sobre seus direitos contribuímos para melhorar a qualidade de vida no nosso país. Nós somos uma importante ponte entre a ciência e a sociedade. Nós podemos apontar o que está errado na política brasileira e lutar por uma revolução que traga justiça para nosso povo. Nosso poder está no fato de termos voz, e por isso temos que insistir em garantir nossos direitos à liberdade de imprensa pois paz sem voz não é paz, é medo.

Além disso, espero que nenhum de nós esqueça que, como afirmou Otto Carpeaux, “um jornalista é um homem que sabe explicar aos outros aquilo que ele próprio não entende”. Nós temos o direito de errar, nossos erros são compreensíveis dada a intensidade e loucura do nosso dia-a-dia e a variedade de assuntos que tratamos. Entretanto, espero que consigamos exercer nossa profissão com qualidade, sem nunca esquecer de checar as informações com o maior número de fontes possíveis. A imprensa não tem o dever da justiça, mas parte deste poder está a nosso alcance.

Por fim, aqui que eu fiz grandes amizades que me fizeram sentir em casa mesmo estando tão longe da minha família. Espero sinceramente vê-los no topo da profissão, afinal, depois que a Patrícia Poeta tirou a Fátima Bernardes do Jornal Nacional tudo é possível.

Obrigada.//

Ladies and Gentleman: Led Zeppelin

Publicado na Revista Folk, Outubro de 2012

“Não é que apenas achamos que somos a maior banda do mundo. Mais que isso, achamos que estamos muito, mas muito a frente do segundo colocado”. A afirmação é do vocalista do Led Zeppelin, banda lendária que revolucionou perspectivas do rock e explorou de forma inesperada os ouvidos de seus aficionados ao apresentar ao mundo um vocalista que explodia nos palcos e no imaginário dos anos 70.

Robert Plant lota estádios e casas de shows muito mais pela indiscutível representatividade de sua voz na história do rock do que pelos seus novos trabalhos. Desde que o lendário Led Zeppelin terminou em 1980, Plant fez vários trabalhos solos, mas são poucos aqueles que compram seus ingressos sem esperar ouvir “Black Dog”, “Rock and Roll” ou “Whole lotta lover”.

Os sucessos do Zeppelin são inesquecíveis e a mísera oportunidade de ver ao vivo parte daquela magia já emociona os fãs. Antes da morte do baterista John Bonham, asfixiado com o próprio vômito, a banda era louvada em todos os cantos do mundo. Led Zeppelin recebeu diversas categorizações entre folk music e heavy metal, tem cinco discos na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame e quase todo mundo conhece algum sucesso seu, nem que seja o batido e inexplicável Stairaway to Heaven.

Acontece que Plant envelheceu e fez o inacreditável, aprimorou sua musicalidade e enriqueceu seu rock com instrumentos inusitados, sem deixar ninguém esquecer porque é considerado um dos maiores vocalistas da história. Muito mais contido do que nos anos de Zeppelin, não deixa dúvidas de que os anos lhe fizeram um bem incontestável.

Os fãs do furacão Zeppelin, que combinava Plant com John Bonham, considerado por muitos o maior baterista da história e Jimmy Page, um monstro da guitarra, podem não ter a mesma paixão pelo novo atual trabalho do vocal, mas devem reconhecer que há maturidade nele. O disco Band of Joy é uma justificativa sonora para as rugas de Plant e uma versão madura do rock ‘n’ roll.

Assim como Joe Cocker, Robert Plant amadureceu magnificamente e mostrou tanta categoria e beleza ao evoluir em suas composições que nos leva a acreditar que sua arrogante frase, verbalizada em tempos de Zeppelin, apenas ilustrava seu longevo brilhantismo. Que Plant demore para encontrar as portas da escadaria para o paraíso. Amém.

Retrato de domingo

 

Embora Curitiba não tenha praia, temos parques e é um prazer passar cada domingo ensolarado em um canto diferente da cidade. Cada parque possui públicos e culturas específicos, com formas distintas de aproveitar o espaço.
No Barigüi é mais comum ver esportistas e famílias com seus cachorros, patins e bicicletas. Há também rodas de vodka, de violão, de cerveja, de baralho, de bate-papo, etc. Tem cheiro de relações sociais. É bem legal.

Neste domingo estive no parque com um livro e uma manta, me sentei embaixo de uma árvore, aproveitei sua sombra, li um pouco, tomei uma cerveja e observei muito do que se passava ao redor. Também me irritei com o sobe e desce de helicópteros, o que acaba com parte do sossego do local.

Além de uma menina que se esborrachou com a bicicleta e depois pisou em um espinho – péssima tarde para ela – havia um grupo de adolescentes que havia colocado um pedaço de maconha em uma garrafa de energético. Eles me perguntaram se faria efeito, discutindo entre si sobre a necessidade de ter dichavado a erva antes. Já fui adolescente, então não julgo, mas que juvenis né? haha

O mais legal é que não há separação do espaço, a não ser por pessoas ou árvores, fica todo mundo junto ali e, quanto mais cheio, mais próximos. Me divirto.

Pena que os jacarés não estavam por lá, há boatos de que eles têm aparecido com frequência nas pistas de corrida.

 

Vantagens – e exemplos – do transporte público gratuito

As vantagens de não se cobrar pelo uso de trens e ônibus são várias:

1. Promoção de uma certa justiça social, já que o peso do pagamento de transporte público é grande para a população mais pobre, que é a que mais precisa dele;

2. Redução da emissão de poluentes; menos poluição sonora; redução do uso de combustíveis fósseis;

3.Diminuição dos gastos em obras viárias, já que o carro seria menos necessário;

4. Aumento do uso do espaço público, pois as pessoas precisariam andar mais nas ruas para usar o transporte;”

O texto é bem interessante, vi no Comunica Tudo

Decepe

Meu pavor da decepção é constante.

 
Quando os outros me decepcionam, é latente.
Quando eu me decepciono é frustrante.
Quando eu te decepciono é insuportável.

 

Queria poder nunca te desapontar.

 

Queria poder sempre nos seus olhos ver o mesmo olhar

extasiado que vejo no espelho quando me lembro de você.